Infelizmente, o Brasil não é um país afeito à leitura. Segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro, realizada em 2018, 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro. Esses números são até otimistas, se comparados com os da pesquisa realizada pela Fecomércio-RJ, que apontam que 70% dos brasileiros não leram um único livro em 2014.

O livro é um produto isento de impostos desde a Constituição de 1946, proteção que foi mantida pela atual carta, de 1988. Em 2004, o mercado editorial foi desonerado também do PIS e Cofins. Segundo proposta do atual governo, a partir de agora, a ideia é que os livros sejam taxados em 12% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). E isso, obviamente, fará com que livros fiquem mais caros, comprometendo toda a cadeia do livro.

A proposta, segundo o ministro da economia Paulo Guedes, teria por objetivo a taxação do “mais rico”, já que o livro é um produto que, somente em sua cabeça, não pode ser adquirido pelos mais pobres. Seria demais pedir que o atual governo, claramente contrário a qualquer forma de disseminação da cultura e educação, pensasse em uma forma de popularizar a leitura e deselitizá-la.

A reforma tributária, mais uma vez, não tem por objetivo a taxação de grandes fortunas. O Brasil não cobra e seguirá sem cobrar IPVA de lanchas, iates, helicópteros e jatinhos. Também não deixará de isentar a indústria automobilística de impostos, como o IPI. E claro, muitas empresas disfarçadas de igrejas seguirão fazendo fortunas sem que sejam taxadas.

Indo na contramão do corte de gastos, como se não bastasse a tentativa de facilitar o acesso às armas de fogo, o Ministério da Defesa pediu um aumento de 37% nos investimentos do ano que vem.

Talvez o Brasil precise de menos investimento em educação, cultura e saúde, e mais recursos para comprar caças, lançadores de foguetes e submarinos nucleares em 2021. Precisamos investir mais em armas, e em armamento, para a nossa segurança. Ler é perigoso, afinal, o dia em que a população passar a ler mais, governos como esse não chegarão ao poder.

Assine a petição e diga não à tributação de livros: http://chng.it/y7VhfNTH

Deixem os nossos livros em paz.

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